UMA BREVE REFLEXÃO

domingo, 23 de janeiro de 2011

Quem era aquele homem?

Estrada

Muitas estradas do interior do estado de São Paulo são vazias e desoladas, cortando grandes propriedades, subindo e descendo no meio de colinas verdejantes que, em determinados trechos, deixam ver lindos vales plantados ou pastagens que parecem nunca terminar, salpicadas de pontos brancos, isto é, o gado nelore que é a base da pecuária brasileira.

Uma vez, numa dessas estradas, no extremo oeste do estado, um homem viajava de carro sozinho, rumo à capital. O sol tinha acabado de nascer, num céu muito azul, quase sem nuvens. A estrada convidava à velocidade. Asfalto de boa qualidade, longas retas, subidas e descidas leves, nenhuma casa, nenhuma vila, ninguém por perto, um motor possante e a certeza de que a polícia rodoviária não estaria por ali, já que o movimento de veículos era quase nulo. O limite de velocidade estabelecido no trecho era de 100 km por hora, mas o ponteiro do velocímetro já havia passado de 140.

Desde o topo de uma colina, o motorista viu, lá longe, alguns pontos brancos na estrada adiante. Desceu do mesmo jeito que vinha e começou a subir a colina seguinte com o pé embaixo.

De repente, surgiu um vulto que saltou para o meio da estrada, agitando os braços como se estivesse louco, mas claramente insistindo para que o motorista reduzisse a velocidade. Sua primeira reação foi pisar no freio, mas veio logo o medo de que poderia ser assaltado e talvez até morto. Ele tirou o pé do acelerador, mas não pisou no freio. O outro homem foi mais insistente ainda e entrou na frente do carro. Agora sim, o motorista pisou no freio e diminuiu a velocidade. Mas ainda ia rápido demais, e teve que fazer uma manobra drástica para não atropelar o outro.

Isso aconteceu quase no topo da colina. Quando chegou em cima, o motorista viu que os pontos brancos que tinha visto na estrada eram uma boiada que bloqueava completamente sua passagem. Ele mal teve tempo de pisar forte no freio e parar o carro quando já estava para mergulhar de frente no obstáculo vivo.

Olhou no retrovisor para ver se não vinha algum carro atrás e parou, com o coração quase a sair-lhe pela boca. Que susto! Se não fosse aquele sujeito maluco sinalizando no meio da estrada, ele certamente estaria morto agora. Bater a 140 km por hora contra uma boiada no meio do asfalto era a receita certa para a morte instantânea.

Parou no acostamento e desceu, decidido a voltar a pé para agradecer àquele sujeito que tinha salvado sua vida. Mas, apesar de ter clara visão de um longo trecho da estrada, não viu ninguém lá atrás. Para onde teria ido o outro? Não havia como subir o barranco de mais de 15 metros de altura, que havia nos dois lados da estrada. E não tinha nenhum buraco ou arbusto atrás do qual o sujeito poderia ter-se escondido.

E, afinal, de onde teria surgido aquele homem? O barranco era alto demais e ele não podia ter saltado lá de cima. Teria sido uma visão? Impossível. Era um dia claro, o sol brilhava no céu e ele estava descansado, depois de uma noite muito bem dormida. Não podia ter sido uma visão.

Mas foi um milagre. Sua vida foi salva por alguém que ele nunca tinha visto antes, nem viu depois. Alguém cujo rosto ele não conseguiu identificar, tamanho foi o susto daquela aparição misteriosa. Um anjo? Talvez.

Para aquele homem, que viajava por um trecho deserto de estrada, o mesmo trecho que ele havia percorrido sozinho, muitas e muitas vezes, o sujeito que lhe salvou a vida foi uma prova de que, por mais deserta que pareça a estrada, por mais sozinhos que possamos achar que estamos, sempre temos companhia.

J.A.Ceschin
jceschin@gmail.com

 

“Estou  certo de que o Senhor está sempre comigo; Ele está ao meu lado direito, e nada pode me abalar.” (Salmos 16,8).

3 comentários:

  1. Caro Zé,
    Muita boa a história, aliás, muitas vezes em nossas vidas ocorrem coisas que a explicação só pode ser esta - Um Anjo, um Espirito?, não importa, uma coisa é certa, os milagres acontecem. O mais legal de tudo isto, é que nós podemos, se estivermos atentos e com a disposição de ajudar ao nosso semelhante, ser este Anjo.
    Obrigado pela mensagem, que vou distribuir.
    Abraço,
    João Festozo
    www.comunicandomais.com
    www.festozo.com.br

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  2. Era o que eu precisava de ler hoje. Obrigado

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  3. Querido Ceschin,

    Que bom poder acompanhar seu blog. As histórias são inspiradoras.

    Valeu!

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