| Nova York é A CIDADE, a capital do mundo, conforme pensam alguns. Realmente, é uma das mais importantes cidades grandes do planeta. Ali fica a sede mundial das Nações Unidas e o centro financeiro do globo. Suas bolsas de valores praticamente ditam o movimento financeiro de todos os cantos, de Beijing a São Paulo, de Nova Delhi a Paris, de Londres a Johanesburgo. Tem o que há de melhor em matéria de restaurantes e museus, o supra-sumo do teatro, dita as tendências da moda, é sede dos maiores complexos de entretenimento de todo o mundo, etc., etc… Seu metrô, que talvez seja o mais feio e barulhento que existe, também é o que oferece o melhor serviço, cobrindo praticamente cada palmo da cidade inteira, de norte a sul, de leste a oeste, noite e dia. Em Nova York há muitos lugares que nunca ficam desertos, como Times Square, no centro de Manhattan, onde tem gente indo e vindo, dia e noite. No entanto, Nova York também pode ser o lugar mais vazio do mundo, dependendo de como você se sente. Para uma pessoa deprimida, a cidade é só uma floresta de prédios, sem sabor algum. De repente, você se encontra em Nova York, trabalhando com um grupo de pessoas que precisam de seus serviços profissionais. Você é o líder do grupo, sabe onde ir, sabe o que fazer, conhece todos os cantos da cidade, tem total desenvoltura ali, por já ter sido um dos moradores dessa megalópole. Domina perfeitamente o idioma e até sabe imitar o sotaque típico do habitante da cidade. Em outras palavras, você está em casa. Porém, num fim de tarde você recebe um telefonema. O grupo foi convidado para um jantar de gala, mas você não. Na verdade, está proibido de acompanhar o grupo. Procure alguma coisa para se distrair e encontre o grupo novamente na manhã seguinte, às nove horas, para o desjejum e o início das atividades do dia. Uma sensação de vazio toma conta do seu peito. Você se sentia realizado, era a pessoa mais importante do mundo, liderando aquele grupo de figurões de outras terras que precisava de você para tudo. Agora, você é posto de lado e, por causa disso, sente-se como um inútil, alguém que nada mais é do que um mero dente de uma engrenagem enorme, que funcionaria, mesmo que esse dente quebrasse… O quarto de hotel é como um túmulo. Lá de baixo vem o barulho do tráfego intenso e, de vez em quando, a sirene de uma ambulância ou da polícia, uivando a todo volume. Mas é como se o mundo inteiro tivesse ido para outro lugar, deixando você ali sozinho, sem nada para fazer, apesar das milhares de opções que Nova York oferece. Você liga a TV e percorre todos os 200 canais. Não há nada que interesse. Liga o computador, navega pela Internet e se chateia minutos depois. Não tem vontade de sair e realmente não há nada para fazer ali no quarto. São apenas 19 horas, e você decide ir dormir. É inverno, e a temperatura lá fora não passa de zero grau. Não está nevando, mas o vento é intenso. Apesar disso, você desperta às quatro horas da madrugada e decide caminhar pelas ruas, exercitar-se um pouco, para manter a forma e suportar as longas caminhadas que terá de fazer nesse novo dia. Seu estado de ânimo não melhorou nada. Você ainda está deprimido, revoltado com o grupo que o “abandonou” e foi divertir-se sem você. O elevador o deixa no saguão e você sai porta afora, enfrentando o vento gelado com o novo casaco de inverno que tinha comprado na tarde anterior. É bastante confortável e agasalha magnificamente bem. Apesar desses pontos positivos, você continua deprimido, sente-se um inútil, apenas uma pessoa a mais, que pode ser substituída a qualquer momento. Como acontece muito frequentemente, você volta a se sentir um fracassado. Melhor seria morrer do que continuar vivendo assim, como um zero à esquerda… | Porém, você já tinha ouvido falar naquele Ser Supremo, que escreve certo por linhas tortas, e que sabe usar cada situação para nos mostrar como somos importantes. E aí, uns 15 minutos depois de ter começado a caminhada, quando passa pela esquina da rua 43 com a Broadway, você vê um corpo caído ao lado da porta fechada de um prédio. | 
| Pensa em virar para outro lado, mas não consegue. Não quer olhar para o defunto e continua caminhando. Faz como todas as outras pessoas que estão naquela calçada, e finge que não nota o homem caído. Mas, ao passar por ele, você percebe que o “defunto” está tremendo de frio. O homem está vivo, tentando dormir na calçada, naquela madrugada gelada! Você passa direto, dá uns 20 passos e para. Seu casaco é o que aquele homem precisa! Você volta, tira o casaco e cobre aquele corpo magro e trêmulo, e nem vê o rosto do sujeito. Levanta-se e continua sua caminhada, agora andando mais rápido, de volta para o hotel, que está a uns 15 minutos de distância… Será que você agüenta o frio sem o casaco novo que levava? Não apenas agüenta como, de repente, sente-se como se tivesse três metros de altura! A depressão sumiu, e uma alegria enorme toma conta de seu peito. Você nunca mais vê aquele homem, em toda a sua vida. Não sabe o que aconteceu com ele, se morreu de frio ou se dormiu bem aquecido. Não sabe se ele ficou com o seu casaco novo ou se o vendeu para comprar drogas ou bebidas. Mas nada disso importa. O importante é saber que você fez um ato de caridade, ajudou alguém que tinha menos do que você, que precisava de algo que, no fundo, não lhe fazia falta. Você compartilhou de suas bênçãos com um irmão que nunca viu e nunca mais verá, proporcionando a ele um pouco de conforto, algo que ninguém mais estava disposto a lhe dar naquele momento. Como resultado, você ganhou novo ânimo, sente-se útil de novo, sente-se filho de Deus. Agora, pode deixar de lado o seu orgulho e usar o resto do dia e o resto da vida para servir a seu próximo lembrando-se sempre de que, como ser humano, não fez nada além de sua obrigação. Não é essa a coisa mais importante do mundo? Afinal, foi o que Jesus mandou, em Marcos, 12:33: “…amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo…” |
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