Ouvi hoje cedo uma matéria da rede pública de rádio dos Estados Unidos NPR sobre o excesso de confiança em aparelhos de GPS. Vários turistas que visitaram recentemente o Parque Nacional do Vale da Morte, a nordeste de Los Angeles, Califórnia, perderam-se em pleno deserto, onde a temperatura chega a quase 50 graus Celsius. No ano passado, uma mulher foi acampar no Parque com seu filho, usando o GPS, mas perdeu-se em uma estrada abandonada. Foram encontrados cinco dias depois. O rapaz morreu, e a mãe sobreviveu por pouco. O GPS não funcionou e indicou o caminho errado.
Essa matéria da NPR me fez lembrar do tempo em que fiz meu curso de pilotagem. Uma das matérias do curso teórico é sobre navegação, onde o aluno aprende a fazer triangulação e a computar fatores que afetam seu voo, como o vento, por exemplo.
Pois bem, numa das aulas, o professor começou a falar dos aviões modernos, dotados de computadores que facilitam bastante a tarefa do piloto. Ele explicava que, hoje, os aviões bem equipados podem voar de um ponto a outro sem interferência do piloto e, em alguns casos, até pousar sozinhos.
Em dado momento, um dos alunos perguntou:
-- Professor, se há computadores que fazem tudo isso e que corrigem a rota a cada segundo, que estamos fazendo aqui, aprendendo navegação?
O professor respondeu:
-- Bem, como todos sabem, os computadores são máquinas eletrônicas, dotadas de milhares de minúsculos transistores. Suponhamos que você esteja voando de Nova York a Chicago e, no meio do caminho, durante uma tempestade, um desses transistores deixe de funcionar. Se você não tiver estudado navegação, que vai fazer?
É bom poder contar com as maravilhas da eletrônica, mas é melhor ter sempre uma alternativa, uma válvula de escape, uma saída de emergência, para o caso de um transístor deixar de funcionar.
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