UMA BREVE REFLEXÃO

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Você ainda ousa sonhar?

Quando eu era menino, tinha muitos sonhos. A maioria deles tornou-se realidade, ainda antes de eu ser adolescente. Mas, na adolescência, passei a alimentar outros sonhos. Esses, também, tornaram-se realidade e minha vida acabou tomando os rumos que eu queria que tomasse. Continuei sonhando e, pouco a pouco, fui realizando esses sonhos.
Alguns dos meus sonhos eram irrealizáveis e foram deixados de lado, porque chegou o dia em que me compenetrei de sua impossibilidade. Outros, deixei de lado porque mudei de idéia em relação aos meus objetivos.
Nunca sonhei com a riqueza econômica, porque não seria suficientemente ganancioso para guardar tudo só para mim e para os meus. Se eu ficasse rico, seria por pouco tempo, porque acabaria distribuindo tudo entre os pobres ou minha fortuna seria tomada por algum esperto que soubesse explorar minha singeleza. Tive muitas oportunidades de alcançar a riqueza, frequentei ambientes e conheci pessoas que poderiam me tornar muito rico. Mas, de um modo ou de outro e conscientemente, sempre acabei me desviando para outros caminhos.
A riqueza não traz a verdadeira felicidade e eu sempre soube disso. Permite comprar tudo, abusar dos prazeres e humilhar os que têm menos. A riqueza exagerada permite até a filantropia, que muitos usam para se fazerem famosos e para aliviar o peso da consciência. A riqueza traz poder, mas o poder nada tem a ver com a verdadeira felicidade, que encontramos nas pequenas coisas que qualquer um pode ter. A verdadeira felicidade está em poder andar no meio da multidão sem ser molestado,  dormir sossegado, viver numa casa sem muralhas ou guardas de segurança. Só é verdadeiramente feliz aquele que se contenta com o que tem e não passa cada minuto da vida pensando em aumentar seu patrimônio e que faz tudo, licitamente ou não, dentro da ética ou não, com moralidade ou não, para ter mais e estar sempre por cima.
Meus sonhos me levaram a viajar, a conhecer muitos lugares e muita gente e me levaram a aprender muito. Com a idade e o aprendizado vieram outros sonhos que ditaram minhas ações e me levaram pelos caminhos que eu sempre quis percorrer. Mas também estive diante de muitos becos sem saída e precisei voltar atrás, começar tudo de novo. Por exemplo, tive relacionamentos com os quais sonhei durante muito tempo. Realizado o sonho, acabei por descobrir que não era aquilo que eu queria e tive que recomeçar.
Muito cedo perdi minha mãe, meu pai e meu único irmão, as três pessoas que me conheceram melhor do que ninguém. Perdê-las foi um pesadelo, dividido em três partes. Mas até isso é positivo porque aprendi a avaliar melhor e a cultivar melhor as minhas amizades e os meus relacionamentos.
Envelheci. Acho que nunca sonhei com a velhice, mas até isso eu consegui. E, na velhice, descobri que a verdadeira felicidade está em coisas aparentemente insignificantes, como ouvir minha neta me chamar de “vovô lindo” ou dizer que me ama. Minha felicidade está no companheirismo de minha esposa, que me aceita como sou e me apóia em tudo que faço, mesmo que não seja do agrado dela. Minha felicidade está em ainda poder pegar minhas ferramentas e trabalhar embaixo de minha velha picape Chevrolet 1954, em andar de bicicleta, em dirigir 14 horas sem parar na volta de uma viagem ao Tennessee, em cortar a grama do meu quintal e do jardim da frente de minha casa uma vez por semana… e outras coisinhas assim.
Pois é, envelheci, mas os sonhos não se acabaram. Continuo sonhando a todo instante e não me importo em dizer que sou um sonhador. Sempre fui, porque os sonhos orientam minhas ações e alimentam minha alma.
Meus sonhos estão no meu coração e, desde pequeno, Deus me deu todos os desejos do meu coração. Não realizei coisa alguma por mim mesmo. Sempre que tentei tomar as rédeas da minha vida, acabei com os burros n’água… Com isso, fui assimilando lições, por vezes bem amargas. Mas a maior lição de todas foi esta: deixe todas as suas preocupações, suas mágoas e amarguras, deixe todos os seus problemas nas mãos de Deus. Ele sabe o que é melhor para você.
Você sonha? Ou acha que o sonhador vive nas nuvens e não consegue por os pés no chão?

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