Se você for morar perto de um aeroporto, no começo vai se incomodar com o barulho dos aviões, mas acaba se acostumando e, logo, não escuta mais as turbinas. Se morar ao lado da estrada de ferro, é a mesma coisa. No começo, vai acordar toda vez que o trem passar, durante a noite. Depois, seus ouvidos se acostumam e você vai dormir como um anjo todas as noites.
Na verdade, acho que isso acontece porque, no fundo, nós sabemos que não há outro jeito e que temos que aceitar o barulho dos aviões e dos trens, a menos que possamos nos mudar dali para um lugar mais sossegado. Mas, para quem está acostumado com o barulho, até o sossego incomoda.
Digamos que um vizinho seu tem um carro barulhento, com o silenciador estourado e que esse vizinho se levanta todos os dias, às 5 horas da madrugada, para ir trabalhar. Ele liga o carro e deixa o motor esquentar, durante uns 10 minutos, antes de sair. O barulho dele vai incomodar no primeiro dia e todos os dias. Você não vai se acostumar, porque sabe que pode ir lá e quebrar a cara do vizinho para acabar com o barulho. E essa amolação vai continuar até você reagir e fazer alguma coisa. É assim com todo tipo de barulho que a gente acha que pode controlar.
Mas não vamos esquecer do outro lado da moeda. O latido do seu cachorro não incomoda você ou sua família, porque você acha que ele tem o direito de latir quanto quiser. A música que você ouve a todo volume, também não incomoda. Pelo contrário: você acha que tem o direito de obrigar o mundo inteiro a gostar do tipo de música de que você gosta. Ou obrigar o mundo a torcer pelo mesmo time e gritar junto com você.
Agora, pare e pense bem: será que seu cachorro não late demais? E a música que você escuta, não estaria alta demais? E, quando você grita com sua mulher ou com seus filhos, será que não incomoda os vizinhos, que não têm nada com isso?
Seu direito vai até onde começa o direito dos outros.
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