Vou na condição de voluntário, com um companheiro cristão, Bob Nelson, que leva vídeos para os prisoneiros assistirem, e sempre tem uma mensagem a respeito do conteúdo do vídeo. Algumas vezes Bob mostra um filme completo e depois abre uma discussão com os detentos, sobre o tema do filme. Nessas discussões há lugar para críticas, elogios, arrependimento, depoimentos e principalmente esperança!
Não posso mostrar coisa alguma porque é proibido tirar fotos lá dentro da prisão, e também é expressamente proibido entrar levando o telefone celular. Afinal, ali há todo tipo de criminoso, desde assassinos condenados à prisão perpétua, até ladrões de banco, falsários, estupradores, traficantes de drogas, e assim por diante. Mas são todos pessoas humanas, a maioria das quais está profundamente arrependida dos erros cometidos.
Mas não quero falar dos presos. Quero falar da prisão.
Vejam a foto acima. É da portaria de entrada. À direita da foto, a entrada para veículos. Tudo com muita seguranca, mas com muito espaço, muito verde, sem muralhas, apenas com duplas filas de telas encimadas por malha de segurança. O estacionamento onde está meu carro, também é amplo e arborizado, com espaços bem demarcados. Até para as motos há um espaço reservado ali. Observe que, na frente do meu carro, os espaços são reservados para estacionamento de deficientes. Ninguém estaciona ali, se não for deficiente com o devido registro. A multa é de 280 dólares!
Clique na foto para ver em tamanho ampliado.
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Lá dentro, nós nos encontramos com os detentos num pavilhão que chamam de capela. Existem diversas salas, com carteiras e quadros negros, como se fossem salas de aulas, salas essas reservadas para os voluntários como nós. Há salas para os judeus, os católicos, os evangélicos e até para os muçulmanos. Cada grupo se reúne em um dia da semana, sempre à noite.
As reuniões se realizam à noite porque, durante o dia, todos os presos trabalham. Os que têm penas mais leves e mostram bom comportamento, podem trabalhar na rua. Isto é, em coordenação com o Departamento de Obras, a prisão forma equipes que saem às ruas em grupos, para cortar a grama em espaços públicos, tapar buracos nas vias públicas, consertar a sinalização e coisas assim.
Ao contrário do Brasil, os presos aqui não têm "auxílio reclusão" e não ganham coisa alguma, exceto o que recebem pelo trabalho que fazem.
Não há excesso de presos. Todos têm o seu espaço nas celas que, infelizmente, não posso visitar.
Os presos que quiserem, podem estudar. Há facilidades para que eles tirem o seu diploma de primeiro grau na própria prisão, e depois podem estudar à distância. Há computadores para isso e um dos presos que encontro todas as semanas está estudando para o seu DOUTORADO em Ciências da Religião. É um homem que foi condenado à prisão perpétua por homicídio. É mole?
Nós nos reunimos na biblioteca, um salão enorme, de uns 600 metros quadrados, com duas paredes cheias de livros e revistas, inclusive grandes obras de literatura e Bíblias em vários idiomas. Num dos lados, uma tela de 5x3 metros, e um projetor ligado ao computador onde Bob põe os vídeos para apresentar aos detentos. Ar condicionado, claro, e cadeiras bastante confortáveis, arrumadas como em um cinema, com capacidade para mais de 200 presos. Geralmente nos reunimos com uns 80 deles.
Em nenhuma parte dessa prisão eu vi grades de ferro. Existem apenas telas de arame e as janelas de todos os prédios que eu vejo ali são janelas comuns. Nada de grades. Os prédios são todos térreos.
É evidente que se trata de espaço para conter presos de periculosidade mínima. Mesmo assim, vejo ali um lugar onde é possível ter uma vida produtiva, apesar do confinamento. São criminosos que não recebem dinheiro do Estado, que trabalham, estudam, exercitam-se e participam de Estudos Bíblicos.
Os homens que estão detidos neste lugar têm todas as condições para se reabilitarem perante a sociedade. Muitos daqueles com quem eu converso todas as semanas, me falam dos planos que têm, para quando saírem da prisão e estão aproveitando de tudo que o presídio oferece para se prepararem para a vida, depois que cumprirem a sua pena.
Os homens que estão detidos neste lugar têm todas as condições para se reabilitarem perante a sociedade. Muitos daqueles com quem eu converso todas as semanas, me falam dos planos que têm, para quando saírem da prisão e estão aproveitando de tudo que o presídio oferece para se prepararem para a vida, depois que cumprirem a sua pena.
Qualquer semelhança com as cadeias do Brasil é mera coincidência...

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