UMA BREVE REFLEXÃO

quinta-feira, 17 de março de 2016

Voltando a 1954.

  É, sou velho, mas ainda tenho lenha pra queimar!
  Eu tinha 14 anos e me lembro bem de quando o Getúlio se matou, em 1954, fugindo covardemente do cerco que lhe armavam os militares, por causa do envolvimento do então presidente no atentado contra Carlos Lacerda. A crise foi crescendo, crescendo e, de repente, quando getúlio disparou o tiro que o mataria, parecia que o país ia pegar fogo. Os getulistas choravam, sem saber o que fazer. Os outros, comemoravam nas ruas.
  Getúlio era o exemplo perfeito de líder populista. Seus discursos começavam sempre com as palavras: "Trabalhadores do Brasil!" Ele era o líder do partido que criou, isto é, o PTB original, o Partido Trabalhista Brasileiro. Qualquer semelhança com o líder populista de hoje e o partido dele, eu acho, é mera coincidência.
  O fato é que Getúlio Vargas queria ter o Brasil no bolso, e usava os menos favorecidos como massa de manobra para alcançar os seus objetivos. A bem da verdade deve-se dizer que algumas das maiores conquistas trabalhistas ainda em vigor nasceram nos governos dele, Getúlio Vargas. Não foram criação do PT. Também foi Getúlio quem inventou a Petrobrás, com o bordão que ele também inventou: "o petróleo é nosso!"
  Mas Vargas tinha opositores. O maior deles era o jornalista e líder político Carlos Lacerda, que tinha sido comunista na juventude, mas que, mais tarde, tinha se voltado contra o comunismo, para se tornar um líder conservador. Vargas o odiava.
  O atentado da Rua Tonelero, no Rio de Janeiro, contra a vida de Lacerda, foi imputado a Gregório Fortunato, chefe dos guarda-costas do presidente. Mas isso nunca ficou provado.
  Enfim, parece que vários detalhes dessa história estão se repetindo. Dois líderes populistas usando a camada menos favorecida da população como massa de manobra; dois políticos fazendo tudo que podem para alcançar os seus objetivos; dois homens que se se põem acima da lei e que vão, aos poucos, cometendo erros crassos, que só fazem a crise se agravar.
  Hoje, dia 17 de março, podemos observar um fato interessante, isto é, um bando de ratos abandonando o navio que naufraga. De repente, todo mundo é a favor do povo e contra o governo. Dançam conforme a música.
  Aposto que, além dos personagens principais, há centenas de coadjuvantes nesse drama, que morrem de medo de juízes e promotores federais.
  Como disse um parente meu de Maringá, vão faltar algemas na Polícia Federal para por todos eles a ferros.

Um comentário:

  1. Também sou velho, e como vc tenho muita lenha pra queimar! Vivenciamos essa época, e as notícias eram informadas pelo famoso e saudoso "Reporter Esso", como nesse fato, em edição estraordinária. Brilhante sua comparação do antes e agora! Um forte abraço!

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