Quando eu era radialista em São Paulo, mesmo no tempo do governo militar, podia falar o que queria. Fiz comentários na Jovem Pan, na Bandeirantes e na Record. Falava de improviso, comentava o que me dava na cabeça.
Na televisão era diferente. Tinha que me ater ao texto porque, na TV, há diversos departamentos que estão acompanhando o mesmo texto e que precisam saber o que está acontecendo para poderem dar continuidade ao programa, rodando vídeos de reportagens, filmes comerciais, etc. Na TV eu não podia falar de improviso.
Mas aquele improviso e os comentários espontâneos não queriam dizer necessariamente que havia total liberdade de imprensa. Os militares estavam de olho e, se eu passasse de certos limites, teria que dar explicações. Até certo ponto, é o mesmo quadro de hoje. Isto é, o comentarista só fala o que o patrão deixa falar, só se atém àquilo que interessa aos donos da rádio, da TV, do jornal ou da revista onde trabalha. Caso contrário, vai pra rua...
Conheci muitos jornalistas que eram visceralmente contrários ao que o patrão mandava mas, como precisavam do emprego, dançavam conforme a música. Muitas vezes eu também dancei conforme a música.
Na Internet eu não tenho patrão. Eu mando, eu escrevo o que bem entendo, eu digo o que quiser. A liberdade é total. E quem lê os meus comentários pode concordar ou discordar do que escrevo e deixar os seus comentários junto com meus textos. Pode reagir imediatamente depois de ler, na certeza de que eu estarei lendo os seus elogios ou as suas broncas.
Graças a Deus pela Internet. Mas, junto com toda essa liberdade vem a responsabilidade de ser justo. Não posso me agarrar a boatos não confirmados e falar mal de quem quer que seja. Preciso achar um modo de confirmar o que descubro na própria Internet. Na rede mundial os boatos correm na velocidade da luz e se espalham como fogo de palha. Posso externar minha opinião, mas não posso alimentar a propagação de mentiras.
E ainda enfrento outro perigo, o da censura. Se alguém que tem poder não gostar do que eu escrevo, pode bloquear os meus textos. Isso também acontece a toda hora. Mesmo que a verdade esteja inteiramente do lado de quem escreve, se alguém tem poder e se sente prejudicado, vai reagir e bloquear o texto que só dizia a verdade. A mentira fica por cima.
A Internet tem poder. Infelizmente, ela permite criar, mas também permite destruir.
A Internet permite criar mentiras, boatos, falsas esperanças. Mas também permite destruir os corruptos que não permitem que o Brasil se levante e seja o gigante que poderia ser. É esta última Internet que eu quero explorar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário