| Houve época em que o palavrão era coisa de gente sem cultura, ou servia como válvula de escape em momentos difíceis. Uma pessoa tentando pregar um quadro na parede acertava o martelo no dedo e gritava um palavrão. Ainda é assim. O palavrão ainda funciona como válvula de escape. Só que tornou-se muito mais comum e é usado com muito mais frequência, em todo e qualquer tipo de ambiente. Até no rádio e na televisão o palavrão é usado à vontade, em situações de comédia ou drama. É aceito como coisa normal. Dizem alguns que o rádio e a televisão espelham a vida normal do povo e que, no caso do palavrão, ele é usado porque faz parte da vida do povo. Se você aceita esse argumento e permite que seus ouvidos e sua casa sejam invadidos por palavras de baixo calão o tempo todo, tudo bem. Comigo, não! Comecei a trabalhar em rádio em 1956 e, naquela época, o palavreado tinha que ser o mais limpo possível. Mesmo assim, podíamos conversar horas e horas no rádio sem dizer uma só palavra ofensiva. Já havia novelas no rádio, espelhando a vida do povo, e nenhuma palavra de baixo calão era ouvida. O pessoal que trabalha em rádio e TV hoje em dia afirma que o povo quer ouvir palavrão e, portanto, dá ao povo o que o povo quer. Mentira! O que existe é uma enorme falta de criatividade. Eles apelam para a ofensa pessoal como meio de atrair atenção e faturar com isso. Dizem palavrões porque não são capazes de conversar sério por mais do que um minuto ou dois. O palavrão é a única arma que permite a essa gente galgar os degraus da fama. Então, tome palavrão! Mas, pensando bem, talvez eles tenham razão e eu esteja totalmente errado. Se o povo não quisesse ouvir palavrão, isso acabaria. O povo não só aceita, mas gosta dessa sujeira, gosta de ser desrespeitado e ofendido. Assim, há uma boa quantidade de palavras de baixíssimo calão que todos usam com a maior naturalidade hoje em dia. Vemos essas palavras na boca de homens e mulheres que se consideram pessoas de respeito, na boca de garotas e rapazes, de gente rica e gente pobre, de pessoas de nível universitário e de outras que fugiram da escola. Até as crianças dizem palavrões, impunemente. Para toda essa gente, dizer palavrão é normal. Você tem coragem de dizer palavrão na frente de um delegado de polícia, na primeira vez que o encontra? Usa palavrões quando fala com seu pai, com sua mãe, com seu sogro ou sua sogra? Diz palavrões quando conversa com o padre ou o pastor da sua igreja? Acha que pode ligar para o prefeito, o governador do estado ou o presidente da República e rechear a conversa com palavras de baixo calão? Usa palavrão quando conversa com seu filho ou sua filha adolescente? Conversa com sua mulher (ou marido) aos palavrões? Desculpe, mas isso não é coisa normal, não é sinal dos tempos, não é modernismo, nem é motivo de orgulho. É grosseria e falta de respeito. Incrível! Escrevi um texto sobre palavrões, fui bastante incisivo em certos trechos e não usei um palavrão sequer! Você consegue isso? |
UMA BREVE REFLEXÃO
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
E tome palavrão!
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Eu e a minha esposa nunca pronunciamos palavrões, não que sejamos contra ou questão religiosa : simplesmente não temos hábitos , nem em situações semelhantes de bater com martelo no dedo no lugar da cabeça de um prego, muito menos em conversas com quer que seja ;minhas filhas soltam palavrões nas conversas entre as amigas delas, mas não com a gente ; percebo que pessoas arrogantes que por extensão são mal educadas usam para se vangloriar, ofender e tentar rebaixar os demais quando não conseguem seus intentos a todo instante, e tem pessoas que já por costume numa conversa a dois ou quando estão em grupos falam palavrões naturalmente sem ofender ninguém ,nem querer chamar atenção do ambiente ; agora, onde é liberado e praticado mesmo ,é num estádio de futebol ; no transito poderá até mesmo causar morte; Então Ceschin, como já disse antes, não tenho o dom da fala e nem da escrita como vc, mas gosto ler suas "palavrinhas" e resolvi agora comentar também; um abração.
ResponderExcluirMeu caro, quando comecei a fazer jornalismo há 22 anos você já tinha cabelos brancos e também aprendi que palavrões, piadas "quentes" e palavras de duplo sentido não entram no nosso vocabulário. Também ouvi essa "estória" de que é o que povo quer, mas continuo com a mesma: o povo consome aquilo que lhe oferecermos. Se porcaria, porcaria, se elevação, elevação. Eu fico com a segunda porque o que sai da boca do homem ou da mulher é que contamina. Grande abraço.
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